Homem mais velho é sempre mais interessante, porém
difícil de entender. Não sei se é porque ainda não tenho a idade dele,
mas às vezes me soa tão infantil essa perseguição exagerada. Relaxa,
cara, o mundo não acaba amanhã. Existe uma distância de idade
inquestionável. Nossa faixa etária está tão longe quanto nossos
pensamentos, projetos e filosofia de vida. Jeito de pensar, de agir e
até certas preferências.
Como ele pode ser tão necessário e ao mesmo tempo tão diferente do que eu quero?
É
engraçado, fujo desses garotos contemporâneos impulsivos e
inconsequentes, que desdenham da oportunidade de me conhecer melhor por
medo deles próprios. São covardes e preferem o subterfúgio da
autoafirmação, do que a liberdade dos beijos juvenis, da exposição da
alma. Como são tolos. Tolice, aliás, é adjetivo masculino, independente
da idade. Experiência é ilusão. Dias no calendário não significam
vivência, alguns caras apenas existem. Um macho com rugas acredita ser
melhor do que verdadeiramente é, quando o talento está na simplicidade
dos gestos, na autonomia dos sentimentos, no descansar dos olhos, na
confiança do despertar. Nem sei por que insisto,
isso tudo é sinceridade demais para eles.
Eu
quero um homem com “H”, com cheiro de perfume forte, com aquele
antebraço largo, quente e revestido por pelos de um lobo protetor.
Cansei de andar na corda bamba da minha vida circense. Preciso de uma
palavrinha-chave, que abre todas as portas do meu conflito pré-adulto:
Segurança.
Quero caminhar no abismo, sem me preocupar em me esborrachar lá
embaixo, simplesmente por estar amarrada em cordas de lealdade. Mas isso
não se pede, exige, ou sugere. O contrato de confiança é assinado no
olhar, é ele quem sustenta a fidelidade. A explicação para isso está no
adultério, que provoca a rescisão do acordo e, a partir dali, os olhos
não conseguem jamais se cruzar.
Sim,
tô revoltada.
É difícil entender como alguém que me faz tão bem pelo que representa,
me chateie tanto pelo que realmente significa. Ele é ótimo comigo,
conquistou minha mãe e minha irmã e nem falo das minhas amigas. Tem
aquele jeito superior que não instiga, enoja. Uma voz baixinha que não
seduz, irrita, além da inteligência afrodisíaca, que não me balança nem
um pouco. Pelo contrário, me sinto inferior e o que resta é
constrangimento. Tento me adaptar ao que não sou, me aproximar de um
mundo do qual não pertenço e me afastando de mim, já nem sei mais pra
quem eu estou olhando nesse momento, enquanto jantamos. Sim, eu sei, sou
complicada também e pode até me chamar de imatura, mas é exatamente por
essa minha inconstância de ser, que preciso alguém firme do meu lado.
Não te escolhi pela idade, e sim pela tua capacidade de alcançar um
lugar onde eu jamais poderia chegar. O problema é que já avisto esse
horizonte e sinto que vou cruzá-lo mais rápido do que eu pensava. Mais
do que isso, percebo que a viagem até os meus objetivos não será
interessante, afinal você não vai suportar isso. Sinto muito, vou ao
toalete retocar a maquiagem e a minha vida.
Sou inquieta e agoniada. Pra mim, felicidade é movimento. Busque alguém que consiga viver parado.
Chego
em casa, entro no chat, à noite, e vem a minha melhor amiga me
perguntar o que deu errado e o que eu quero afinal. Se o melhor é um
homem mais velho ou mais novo? Mandei a seguinte mensagem: “Maduro ou
imaturo, prefiro sempre a sinceridade dos olhos. O resto é entrega e
consequência.” Assim, dormi sorrindo com as minhas convicções e ciente
de que já sei me equilibrar melhor na corda bamba. Afinal, a queda faz
parte do espetáculo da vida.
E eu sempre me levanto.
Por Chico Garcia.
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